you said i must eat so many lemons ’cause i am so bitter.

não sei se sou amarga por beber tanta limonada, se gosto tanto do sabor do limão por ser o que melhor sei dentro de mim.
you said i must eat so many lemons ’cause i am so bitter.

não sei se sou amarga por beber tanta limonada, se gosto tanto do sabor do limão por ser o que melhor sei dentro de mim.

não posso perceber se sinto a tua falta, porque nunca cheguei a perceber quem tu eras. mas é impossível não perceber que sinto falta de quem tu eras para mim.
Quando o dia entardeceu
e o teu corpo tocou
num recanto do meu
uma dança acordou
e o sol apareceu
de gigante ficou
num instante apagou
o sereno do céu
e a calma a guardar
o que há em mim
o desejo a contar
segundo o fim
foi um ar que te deu
e o teu canto mudou
e o teu corpo do meu
uma trança arrancou
o sangue arrefeceu
e o meu pé aterrou
minha voz sussurrou
o meu sonho morreu
dá-me o mar, o meu rio,
minha calçada
dá-me o quarto vazio
da minha casa
vou deixar-te no fio
da tua fala
sobre a pele que há em mim
tu não sabes nada.

Ela pensava que estava a salvo. Tinha o coração tão partido que pelo menos dessa culpa já te libertavas. Mas o que ela ingenuamente ignorava era que o coração, mesmo quando a escorrer em sangue, automaticamente se auto-reconstrói e se oferece, em estado virgem, pronto para ser dilacerado uma e outra e outra vez.

Follow your common sense
You cannot hide yourself
Behind a fairytale forever and ever
leve, despida de preconceitos, fresca, uma peça que vai bem com o verão mesmo nestas noites ainda frias. o texto é muito bom, tem tanto de humorístico quanto de sensível e profundo. a guida maria destaca-se, sem dúvida, pela tocante interpretação, a ana brito e cunha despertou-me um interesse recente e aqui está p-o-d-e-r-o-o-o-s-a e, convenhamos, ter a são josé correia a gritar “lambe-me!!!!!” bem à nossa frente… é assim qualquer coisa!!!
agora que, neste jogo de xadrez comigo mesma em que insistentemente me atraiçoo, não vejo outra saída que não seja ir embora, mais uma vez.
e depois, a permanente culpa de saber que estou a ser injusta, a eternidade das minhas indecisões, a incerteza do que quero e a certeza de não conseguir lidar com as consequências últimas de uma escolha, e acima de tudo, o medo de me despenhar, uma vez mais, no vazio imenso da minha inaptidão para viver.

acabo por ser sempre um lugar de passagem na vida das pessoas. entrem, puxem uma cadeira, sentem-se e sintam-se à vontade para partirem em branco, quando estiverem novamente cheios de renovadas energias. uma espécie de estação de serviço, ao vosso dispôr.
eu devia ser um hospital para corações enfermos, não fosse a insustentável ironia de o meu estar num coma profundo desde que me lembro de não o ouvir bater. ele cavalga.

ardem-me no rosto os leitos das lágrimas, e em sal se me enrola a pele aos fiapos desprendida. inefável, tento desatar os braços das teias que enrolei em cada veia, e o fígado contorce-se-me numa ansiedade incerta. procuro, sem conseguir abrir os olhos que me ardem, um novo espaço para ser, sem conseguir calar o cérebro pelo ínfimo de tempo necessário para distinguir os gritos das falas mudas. preciso de uma nova morada. não posso mais habitar esta dor indigesta que me estala no peito.

- E então, o que é que fazes para ganhar a vida?
- Vendo as minhas horas, ao preço da chuva.

cause i like the sense of falling

and i like the sense of you.

for the Pin Cushion Queen.
When she sits alone on her throne
Pins push through her spleen.

Depois dos complicadíssimos quizzes do Facebook e das eternas auto-renováveis listas de supermercado, eis-me confrontada com o desafio lançado pela chérie, que me acorrentou à lista das séries de eleição. Ora a minha memória, que tanto tem de prodigiosa quanto de inusitada, atraiçoa-me muitas vezes nas trivialidades mais simples. Ainda assim, lembro-me de tardes de Verão a ver The Muppet Show, Alf, the Love Boat, Murder, she wrote, Allô, Allô, Uma Casa na Pradaria, e de noites acordada até tarde para ver com a minha irmã a Murphy Brown ou Cheers, aquele bar. Tenho uma vaga ideia do Dallas e do Tal Canal, e depois, pois é, sou da geração que via Beverly Hills 90210 e que sonhava abrir cadeados com um clip como o MacGyver. Mais tarde não perdia a Britcom, via a Buffy, a Dharma and Greg, a Ally MacBeal e o Seinfeld. Acho que vi todos os episódios dos Friends e, nos últimos tempos, se estivesse em casa via a Entre Vidas (e chorava quase sempre, sou uma sentimental) e consumi rapidamente todas as séries da L Word. E já lá vão bem mais de 11…. Quem quiser que se pronuncie!


(…)
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
(…)

preciso de ar. preciso de gritar num eco surdo, esvaziar-me da ansiedade e da pressão, de empurrar com força as paredes que se fecham sobre o meu espaço e progressivamente me encolhem num reduto minúsculo, debaixo das vozes dos outros, dos sentimentos dos outros, das ansiedades dos outros. fixo-me numa imagem como um ponto infinito, e é ela que me segura e me mantém coesa quando a lava que me escorre nas veias parece prestes a fragmentar em mil ramificações a epiderme que sustém o meu grito. na perfeita porcelana dessa imagem longínqua encontro a serenidade e a vontade e o alento, e ela é feita de algumas pequenas coisas que são tão grandes e tão boas. estou cansada de tudo, sem estar farta de nada. [como poderia deixar-te, tenho-te demasiado impregnada na carne. também não sei onde te hei-de pôr, por isso deixo-me ficar quieta à espera que o vento te escolha o sítio, à espera do dia súbito em que me levanto e te sacudo do colo onde em migalhas foste ficando presa à minha saia,] e quanto ao resto, não posso sobrepôr a minha vontade, a minha absurda necessidade de e s p a ç o à necessidade que os que amo têm de mim, ou de qualquer coisa minha, não posso adiar o tempo que sei que não se irá repetir, quanto mais não seja porque posso com tudo menos com a minha consciência, essa puta sem coração, que me obriga a ser mais humana, que me faz ainda conseguir fazer alguma coisa que me faça sentir que estou a fazer bem, que me leva além da cegueira do meu egoísmo. preciso de ar. preciso de gritar. concentro-me com todas as forças numa imagem fixa a levante, e essa imagem é também o teu rosto desenhado na tua imperfeição humana, na perfeita combinação da matéria de que és feita, e tenho a impressão que deponho em ti a mesma pressão de que me queixo, sem respeito pelas ansiedades que também tens, ao mesmo tempo que te abraço e te seguro como tu me seguras, sem talvez saberes, sem saberes talvez tão importante que és. e são outras tantas pequenas coisas que são tão grandes que me dão vida, our gifts can be found in our wounds e este é sempre também o tempo em que, liberta das inevitabilidades domésticas, estou mais livre para mim, embora fechada, ou porque fechada. preciso do meu tempo, e tu encaixas nele como se fosse teu, oxigénica, natural. estou cansada de tudo, estou farta de nada, estou cansada de tudo menos de ti, e quero o mundo e quero o que tenho e adoro os minutos que passam e desespero porque o tempo não passa. preciso de ar, quero gritar. preciso de esvaziar o peito, de criar espaço para nele correres livremente, de mãos dadas comigo. e são algumas outras tantas pequenas coisas que são tão grandes e são tão boas, há sempre um não obstante que nos mantém vivos.