Dreamweaving at Sunrise

November 29, 2009

o efeito borboleta

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 9:16 pm

as primeiras horas da manhã de segunda-feira são, por natureza, as mais pesadas de toda a semana. e os meus headphones sucumbiram assim, sem que nada o fizesse prever, num místico prenúncio do que a semana seria. o meu cabelo cortado no sábado – e só eu sei o que me trespassa a alma cortar o cabelo – exibia um lado esquerdo inegavelmente diferente do lado direito. as nuances magenta resumiram-se a uma auréola vermelha flamejante no alto da cabeça. e estava com o período. esta semana aconteceu tanta coisa. mudei de telemóvel. odeio adaptações. apego-me a certos objectos como se fossem órgãos vitais. dói-me separar-me de mensagens, de imagens, de sons que me trazem recordações de um período em que o sol começou a brilhar depois de longas trevas. nesta semana aconteceu tanta coisa. tanta coisa. a pessoa mais importante da minha vida largou-me uma bomba nos braços. tão inesperada quanto boa, mas eu fiquei aturdida sem saber assumir o papel que nunca antes tivera, sem saber como ser eu a melhor pessoa para a pessoa mais importante da minha vida. o meu melhor colo do mundo precisou do meu colo e eu, mimada que sou a refugiar-me sempre no regaço dela, desejei ser maior e mais forte e poupá-la de todas as crueldades da vida. a minha mãe foi assaltada. nada de grave, dentro do que poderia ter sido. mas odeio quem quer que faça mal à minha mãe, ao de leve que seja. comprei a villa no farmville. e agora que cheguei “ao” objectivo, o que me resta? expandi o meu café. percebi que me exponho mais do que julgo, mesmo quando me julgo invisível. percebi que já não morro de amor, e que por partir uma andorinha não acaba a primavera. a minha bebé, a quem eu ensinei a cantar “do- a deer, a female deer” tem 15 anos e é minha amiga no facebook. qualquer dia diz-me que está grávida. mandei a minha patroa pastar, como lhe compete. e no dia seguinte ela disse que eu sou um exemplo a seguir. muitos lol. sou adicta à nokia, não gosto do meu telemóvel novo. não gosto de adaptações, preciso que o mundo seja certo para não me sentir sem pé. renovei a minha lista de contactos, perdi tantos que estavam a criar teias na minha lista. tenho a minha música já arrumada no sítio certo, direitinha como gosto que seja a minha vida. tenho uma quinta faustosa. o meu café prospera copiosamente. acertei os sons, personalizei os toques. estou feliz com a união, com o que para mim é mais importante no mundo, estou feliz com o coração dos que amo. aconteceu tanta coisa, tanta coisa. à minha volta tudo outonece. e no coração, que sempre foi inverno, uma flor em botão aguarda pacientemente que chegue a minha primavera.

Ø sylvia ji

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 8:05 pm

 

Já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida.
mas afinal não morri, como se vê, ah não
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.

a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.

há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes. uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete:- morrer ou não morrer, darling, ah, sim.

Vasco Graça Moura

 

Sylvia Ji

Theme: Rubric. Blog at WordPress.com.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.