Dreamweaving at Sunrise

July 12, 2009

the V word

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 8:20 pm

 

leve, despida de preconceitos, fresca, uma peça que vai bem com o verão mesmo nestas noites ainda frias. o texto é muito bom, tem tanto de humorístico quanto de sensível e profundo. a guida maria destaca-se, sem dúvida, pela tocante interpretação, a ana brito e cunha despertou-me um interesse recente e aqui está p-o-d-e-r-o-o-o-s-a e, convenhamos, ter a são josé correia a gritar “lambe-me!!!!!” bem à nossa frente… é assim qualquer coisa!!!

regresso

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 3:22 pm

agora que, neste jogo de xadrez comigo mesma em que insistentemente me atraiçoo, não vejo outra saída que não seja ir embora, mais uma vez.

 

e depois, a permanente culpa de saber que estou a ser injusta, a eternidade das minhas indecisões, a incerteza do que quero e a certeza de não conseguir lidar com as consequências últimas de uma escolha, e acima de tudo, o medo de me despenhar, uma vez mais, no vazio imenso da minha inaptidão para viver.

 

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Ÿ Nazif Topçuoglu

June 9, 2009

os despojos do dia

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 9:44 pm

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ardem-me no rosto os leitos das lágrimas, e em sal se me enrola a pele aos fiapos desprendida. inefável, tento desatar os braços das teias que enrolei em cada veia, e o fígado contorce-se-me numa ansiedade incerta. procuro, sem conseguir abrir os olhos que me ardem, um novo espaço para ser, sem conseguir calar o cérebro pelo ínfimo de tempo necessário para distinguir os gritos das falas mudas. preciso de uma nova morada. não posso mais habitar esta dor indigesta que me estala no peito.

 

 

: Bettina Rheims

June 8, 2009

Agora

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 11:42 pm

não consigo designar a minha vida sem ti.

 

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. Thomas Ruff

on mondays she was sober

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 11:35 pm
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- E então,  o que é que fazes para ganhar a vida?

 

 - Vendo as minhas horas, ao preço da chuva.

 

~ Thomas Rusch

June 7, 2009

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 7:57 pm

hoje não. hoje é domingo e, aos domingos, podemos morrer se quisermos.

and you’d better hold on tight

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 4:59 pm

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cause i like the sense of falling

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 and i like the sense of you. 

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¸ Laurie Simmons

June 6, 2009

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 9:25 pm

 

you cannot find peace by avoiding life

June 5, 2009

Life isn’t easy

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 10:06 am


for the Pin Cushion Queen.
When she sits alone on her throne
Pins push through her spleen.

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¨ Tim Burton
¨ Laurie Simmons

June 3, 2009

Protected: Preciso de ti para um poema.*

Filed under: Efemérides — Laura Lai @ 12:00 am

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June 1, 2009

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 10:43 pm

Um dia vão esvoaçar pássaros do meu véu.

May 31, 2009

fora de série

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 2:32 pm

Depois dos complicadíssimos quizzes do Facebook e das eternas auto-renováveis listas de supermercado, eis-me confrontada com o desafio lançado pela chérie, que me acorrentou à lista das séries de eleição. Ora a minha memória, que tanto tem de prodigiosa quanto de inusitada, atraiçoa-me muitas vezes nas trivialidades mais simples. Ainda assim, lembro-me de tardes de Verão a ver The Muppet Show, Alf, the Love Boat, Murder, she wrote, Allô, Allô, Uma Casa na Pradaria, e de noites acordada até tarde para ver com a minha irmã a Murphy Brown ou Cheers, aquele bar. Tenho uma vaga ideia do Dallas e do Tal Canal, e depois, pois é, sou da geração que via Beverly Hills 90210 e que sonhava abrir cadeados com um clip como o MacGyver. Mais tarde não perdia a Britcom, via a Buffy, a Dharma and Greg, a Ally MacBeal e o Seinfeld. Acho que vi todos os episódios dos Friends e, nos últimos tempos, se estivesse em casa via a Entre Vidas (e chorava quase sempre, sou uma sentimental) e consumi rapidamente todas as séries da L Word. E já lá vão bem mais de 11…. Quem quiser que se pronuncie!

 

 

miss_piggy5

May 14, 2009

Lua

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 11:07 pm

May 9, 2009

lisbon revisited

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 1:43 pm

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(…)

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

(…)

Fernando Pessoa

Jenny Gage and Tom Bettertom 


a fé que nos move

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 12:33 pm

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preciso de ar. preciso de gritar num eco surdo, esvaziar-me da ansiedade e da pressão, de empurrar com força as paredes que se fecham sobre o meu espaço e progressivamente me encolhem num reduto minúsculo, debaixo das vozes dos outros, dos sentimentos dos outros, das ansiedades dos outros. fixo-me numa imagem como um ponto infinito, e é ela que me segura e me mantém coesa quando a lava que me escorre nas veias parece prestes a fragmentar em mil ramificações a epiderme que sustém o meu grito. na perfeita porcelana dessa imagem longínqua encontro a serenidade e a vontade e o alento, e ela é feita de algumas pequenas coisas que são tão grandes e tão boas. estou cansada de tudo, sem estar farta de nada. [como poderia deixar-te, tenho-te demasiado impregnada na carne. também não sei onde te hei-de pôr, por isso deixo-me ficar quieta à espera que o vento te escolha o sítio, à espera do dia súbito em que me levanto e te sacudo do colo onde em migalhas foste ficando presa à minha saia,] e quanto ao resto, não posso sobrepôr a minha vontade, a minha absurda necessidade de e s p a ç o à necessidade que os que amo têm de mim, ou de qualquer coisa minha, não posso adiar o tempo que sei que não se irá repetir, quanto mais não seja porque posso com tudo menos com a minha consciência, essa puta sem coração, que me obriga a ser mais humana, que me faz ainda conseguir fazer alguma coisa que me faça sentir que estou a fazer bem, que me leva além da cegueira do meu egoísmo. preciso de ar. preciso de gritar. concentro-me com todas as forças numa imagem fixa a levante, e essa imagem é também o teu rosto desenhado na tua imperfeição humana, na perfeita combinação da matéria de que és feita, e tenho a impressão que deponho em ti a mesma pressão de que me queixo, sem respeito pelas ansiedades que também tens, ao mesmo tempo que te abraço e te seguro como tu me seguras, sem talvez saberes, sem saberes talvez tão importante que és. e são outras tantas pequenas coisas que são tão grandes que me dão vida, our gifts can be found in our wounds e este é sempre também o tempo em que, liberta das inevitabilidades domésticas, estou mais livre para mim, embora fechada, ou porque fechada. preciso do meu tempo, e tu encaixas nele como se fosse teu, oxigénica, natural. estou cansada de tudo, estou farta de nada, estou cansada de tudo menos de ti, e quero o mundo e quero o que tenho e adoro os minutos que passam e desespero porque o tempo não passa. preciso de ar, quero gritar. preciso de esvaziar o peito, de criar espaço para nele correres livremente, de mãos dadas comigo. e são algumas outras tantas pequenas coisas que são tão grandes e são tão boas, há sempre um não obstante que nos mantém vivos.

 

 

 

 

loneliness, is such a sad affair
and I can hardly wait
to be with you again
: Annie Leibovitz

May 3, 2009

egocúbica

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 7:03 pm

 

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até que ponto está certo fazermos aquilo que nos apetece, pondo a nossa vontade à frente de qualquer outra motivação nos passos que damos, nas escolhas que fazemos? um dos meus princípios básicos de conduta é não fazer fretes, tanto quanto me é possível. mas e quando essa atitude magoa ou desilude alguém de quem gostamos – e que gosta de nós -, será que continua a ser válida, a fazer sentido? que fronteira separa o amor-próprio do egoísmo?

 

 

 

 

 

~ Julia Galdo

May 2, 2009

polaroids #3

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 7:13 pm

polaroids #2

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 5:31 pm

e se, de repente, numa praça no centro de Lisboa,

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?…

 

 

(será que morri e os homenzinhos verdes vêem buscar-me?)

polaroids #1

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 4:32 pm

era sexta-feira, véspera do Dia da Liberdade, e os carros ávidos de fim-de-semana grasnavam na Rua Ampla, agora  sempre atulhada ao cair da noite devido às obras do Paço e à reestruturação do passo da Cidade Grande. Nessa rua houve em tempos um parque de estacionamento a céu aberto, cujo acesso, entretanto fechado a grades, se fazia por um alpendre suficientemente grande para nele agora caberem pequenas relíquias encontradas em cantos improváveis nas ruas.
Todos os dias passo por essas grades e todos os dias sorrio pasmada ao que vejo: uma casa a compôr-se entre duas paredes e um tecto a descobrir o céu nu sobre o antigo parque de estacionamento. caixotes a fazer de prateleiras, caixas feitas armários, papéis empilhados, canetas numa cuidada arrumação, pequenos bibelots de sala de avó, um telefone preto igual ao que havia na casa da minha infância – a quem se liga aquele telefone sem fios ligados ao mundo? – pacotes de comida para cão, que a lealdade do dono distribui justiça a quem está sempre do seu lado.
era sexta-feira, véspera do Dia da Liberdade, e eu, a chegar ao lado do parque de estacionamento agora habitado, parei para tirar o telemóvel da mala, dois segundos, o tempo de ouvir, a cortar o grasnar dos carros na rua ampla, a alegria de uma daquelas músicas dos anos 80 com cheiro a festa do liceu. e o sol punha-se lá ao fundo, detrás dos prédios que o parque de estacionamento aberto deixa avistar, e os raios dourados arrastavam-se lânguidos no alpendre e desenhavam no chão a sombra de uma mesa posta, uma garrafa de vinho, um homem e uma mulher a conversarem animadamente num jantar com banda sonora de romance. e eu, de telemóvel na mão, tive o imediato impulso de querer prender aquele instante na câmara, de tão inesperado quanto perfeito que era, mas o respeito pela intimidade alheia, tão candidamente mostrada, fez-me aquietar a mão. e fui-me embora a pensar na crise especulativa que tanto se apregoa, e pensei que não é preciso muito para fazer tanto.

 

April 24, 2009

Filed under: Uncategorized — Laura Lai @ 3:39 pm

ontem tanto te deste, e hoje tanto te dá.

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